Que a de Brumadinho seja a última!

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O rompimento da barragem de Brumadinho já gerou um segundo tsunami.

Mais uma tragédia no Brasil. O rompimento da barragem em Brumadinho passa longe de questões da própria engenharia. A tecnologia está acessível, diferente da gestão qualificada e técnica que acaba muita vezes sendo afastada por interesses políticos e de grandes grupos econômicos. E o passivo existente? Ele deve ser encerrado. Segurança deve vir sempre em primeiro lugar, segurança em processos, e principalmente segurança com qualidade. Eu e você sabemos que além do desastre ambiental, o desastre pelas vidas ceifadas é irreversível.

Toda a proporção dessa tragédia mostra também que as milhares de pessoas atingidas estavam longe de qualquer tipo de plano de emergência relevante. A impressão é que essas pessoas assim como as outras milhões de pessoas que vivem no Brasil, não estão sendo preparadas para absolutamente nenhum evento de grandes proporções que esteja relacionado a situações de emergência.

Pessoalmente, este triste momento me remeteu a oportunidade que tive, uma formação nos Estados Unidos sobre como atuar em uma emergência envolvendo grande parte da comunidade. Essa formação é promovida pela FEMA – Agência Federal de Gerenciamento de Emergência Americana que promove a formação de times por todo o país que são chamados de CERT – Times de Resposta para Emergências na Comunidade. 

Por estar morando em uma cidade sobre uma grande falha na placa tectônica, o time que participei tinha uma prioridade principal estar preparado para agir principalmente quando um terremoto atingir a cidade. Em um evento assim, dito no treinamento, os serviços de emergência não teriam as condições necessárias para atender a todos. Ou seja, uma hora crítica como essa, é importante que a população possa se ajudar, o que parece muito óbvio não é?

Um detalhe interessante: no término deste curso todos recebem o material suficiente para ajudar em uma situação de emergência e um cartão de identificação. Esse cartão é uma habilitação para se apresentar em outras situações aos serviços de emergência, aos times de socorro como por exemplo, os bombeiros.

Na barragem de Feijão em Brumadinho qualquer sinal, sirene, com toda a certeza já seria uma plano de emergência. As primeiras imagens mostram as pessoas correndo de forma desorientada longe de orientações e lugares seguros. Nesse caso, podemos concluir que a emergência não se limita nesses casos ao “tsunami”. Ela se perpetua pela falta de água, alimento, roupas e recursos básicos para a sobrevivência de famílias. 

É um momento triste onde a palavra impunidade deve fortalecer a palavra prioridade, nada além disso. Os responsáveis serão alcançados no momento prudente. A energia agora é pela emergência que continua. O segundo tsuname que todos eles, suas enlutadas famílias e os todos os envolvidos vão enfrentar está apenas começando.